quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Juízes de Atletismo nas Universíadas de Taipé 2017

Juízes Internacionais de Marcha (de pé) e Oficiais Técnicos
Internacionais (sentados). Fotos: fb Dukho Cho e Yukio Seki.
Montagem: O Marchador
A 29.ª edição das Universíadas de Verão que decorre na cidade de Taipé (Taiwan), que teve início dia 19 e prolonga-se até 30 deste mês, é da responsabilidade da Federação do Desporto Universitário (FISU).

Os seis Juízes Internacionais de Marcha, que atuarão nas provas de 20 km (masculinos e femininos), agendadas para o próximo dia 26 (sábado) são os seguintes (na foto ao lado, de pé, da esquerda para a direita): Akira Fujisaki (Japão), Cho Dukho (Coreia do Sul), Rolf Müller (Alemanha), juiz-chefe, Anne Fröberg (Alemanha) e Shaun Gallagher (Irlanda).

Dos onze Oficiais Técnicos Internacionais indicados para a competição nada menos de oito são oriundos da Europa. E destes há a referir a presença do juiz internacional português, José Paulo Moreira. Juiz com uma longa e rica carreira internacional no âmbito da arbitragem, teve o seu momento mais alto nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. O outro português envolvido no evento, Luís Figueiredo, vai exercer funções na qualidade de Juiz Internacional de Partidas, missão que igualmente desempenhou nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Na outra foto ao lado, à mesa, Luís Figueiredo, José Paulo Moreira, Yukio Seki, Luca Verrascina e Imre Mattrahazi.

Os outros árbitros internacionais que compõem a equipa de Oficiais Técnicos do painel da Federação Internacional de Atletismo são o húngaro Imre Matrahazi (chefe), o japonês Yukio Seki, o holandês Hans Van Kuijen, o finlandês Yrjö Kelhä, o belga Didier Foulon, o turco Can Korkmazoglu, o italiano Luca Verrascina, o espanhol Antonio Perez, o sírio Waidy Waiyatilaka, a australiana Helen Roberts.

A 30.ª edição do evento vai ter lugar em Nápoles, de 20 a 31 de julho de 2019, sendo a quinta vez que a Itália recebe a competição depois de já a ter acolhido na edição inaugural, em 1959 (Turim), 1970 (Turim), 1975 (Roma), e 1997 (Sicília).

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Mara Ribeiro nas Universíadas de Taipé

Mara Ribeiro em Taipé.
Foto: FADU Portugal. Montagem: O Marchador
A marchadora Mara Ribeiro, de 22 anos de idade, estudante no Instituto Politécnico de Santarém que representa o Sport Lisboa e Benfica, foi selecionada pela Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) para tomar parte nas Universíadas de Verão em Taipé, cuja prova na distância de 20 km terá lugar no dia 26, iniciando-se às 7 horas da manhã (horas locais).

Com a marca de qualificação fixada em 1.36.00, Mara Ribeiro conseguiu um recorde pessoal de 1.35.45 na Taça da Europa de Marcha disputada em Maio deste ano em Podebrady, na Republica Checa. Mais tarde, em 16 de Julho, participou ainda no Campeonato da Europa de Sub-23 em Bydgoszcz, na Polónia (14.ª, 1.40.47).

A marcha atlética soma 2 medalhas no historial da participação portuguesa no evento, ambas de prata e obtidas por Susana Feitor (10 km/43.40, Pequim-2001) e Vera Santos (20 km/1.33.54, Izmir-2005). Na mais recente edição em Gwangju/2015, Daniela Cardoso foi 10.ª classificada, com 1.38.27.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Arrancaram as Universíadas de Verão em Taipé

Foto: Inside the Games. Montagem: O Marchador
A 29.ª edição do evento multidesportivo internacional para atletas universitários que dá pelo nome de Universíadas de Verão, e que decorre na Cidade de Taipé, Taiwan, até ao próximo dia 30, arrancou no passado dia 19 com a abertura oficial, uma grandiosa cerimónia marcada por algum atraso em virtude de protestos locais, com algumas delegações impedidas de entrar no estádio pelos manifestantes.

A Federação Internacional do Desporto Universitário (FISU) é a principal responsável por este evento que integra 22 desportos e que terá a participação de quase 8000 atletas de 153 países. Se até aqui os atletas tinham como idade limite os 28 anos, em 2019 um novo limite de idade será considerado, dos 17 aos 25 anos, conforme recente decisão da FISU.

O programa do atletismo abrange o período de 23 a 28, com as provas de marcha atlética sobre 20 km a realizarem-se no dia 26, sábado, a feminina às 7 horas e a masculina às 9 horas (horas locais).

A seleção portuguesa universitária participa com 65 atletas de 11 modalidades, e tem Susana Feitor como chefe de missão, ela que obteve a medalha de prata nos 10 km marcha em Pequim-2001. O atletismo é composto por 13 elementos, sendo que Mara Ribeiro (Instituto Politécnico de Santarém) é a única marchadora que obteve a marca de qualificação (1.36.00).

domingo, 20 de agosto de 2017

Quentin Rew bateu em Londres o recorde da Nova Zelândia de 50 km

Quentin Rew completa mais uma volta nos 50 km marcha
dos mundiais de Londres-2017. Foto: ANZ
Presença regular nas grandes competições internacionais de marcha atlética desde o início da presente década, o neozelandês Quentin Rew é um dos atletas mais meridionais do «pelotão» internacional da disciplina, sendo originário de Wellington, a capital da Nova Zelândia. Nos Campeonatos do Mundo de Atletismo recentemente realizados em Londres, onde se apresentava com um recorde pessoal de 3.48.48 h, Quentin Rew foi um dos poucos participantes a estabelecer novo recorde nacional dos 50 km marcha, ao terminar a prova no 12.º lugar, com 3.46.29 h. Superou dessa forma o anterior melhor registo do seu país, que desde 2001 estava na posse de Craig Barrett (3.48.04, marca obtida em New Plymouth). De Barrett sobram agora os recordes nacionais em pista (5000, 20.000 e 50.000 metros), enquanto Rew domina na estrada, com os máximos de 20 e 50 km (além do de 3000 m em pista).

Como é seu apanágio, Quentin Rew cumpriu a prova londrina assumindo a táctica de manter um ritmo regular e ir ganhando lugares à medida que os quilómetros vão passando. Toda a prova foi desenrolada a ritmo que rondou os quatro minutos e 30 segundos por quilómetro, com ligeiríssimas oscilações. De início rolou por volta do 30.º lugar, a meio da prova era 24.º e na meta foi o 12.º (só na última légua galgou seis lugares).

No entanto, nem tudo foram facilidades ao longo daquelas três horas e 46 minutos, dado que a técnica se revelava pouco segura do ponto de vista regulamentar. Todos os juízes advertiram o neozelandês, tendo dois deles emitido notas de desclassificação. Ou seja, Rew estava no fio da navalha, ainda que a segunda nota tenha surgido já na volta final.

Com a experiência internacional que detinha à partida e resultava das numerosas presenças em provas do circuito internacional, incluindo os três mundiais anteriores, Quentin Rew sabia o que podia esperar da sua participação nestes 50 km e o que poderiam almejar os colegas de competição. «Foi uma prova fora do normal. Neste tipo de provas costuma haver um grupo bem grandinho de atletas a rolar entre 4.30 e 4.35 minutos por quilómetro, mas desta vez fiquei praticamente por minha conta ao longo de toda a prova», afirmou ao sítio oficial da Federação Neozelandesa de Atletismo. E explicou: «Eu sabia que uns 25 atletas estavam a impor desde o início andamento para uma marca final de três horas e 45 minutos, mas também sabia que nem todos iriam aguentar. Portanto, foi uma questão de ir tendo sempre presente que precisava apenas de paciência, uma vez que alguns acabariam por ceder e bastava-me estar bem posicionado para tirar partido disso.»

Desta forma, quando nas últimas três voltas os adversários começaram a fraquejar, Rew nem precisou de acelerar muito o ritmo para conseguir ganhar posições, até concluir a prova a seguir a João Vieira, o português 11.º classificado que por pouco não saiu também ele com novo recorde nacional.

No entanto, a regularidade do ritmo da prova de Quentin Rew esconde o verdadeiro sofrimento do atleta, que teve de empenhar quase todas as energias para chegar ao fim da competição com tantos lugares ganhos na fase final. Para além da determinação pessoal, Rew beneficiou do apoio dos compatriotas que se encontravam na assistência à volta do circuito de 2000 metros junto do Palácio de Buckingham. «Era um grupo de neozelandeses que vivem em Londres e eu ainda tive a sorte de ter alguns amigos espalhados ao longo do circuito incentivando-me. Naquelas voltas finais, quando começamos a ficar mesmo cansados, dá muita força ver a bandeira da Nova Zelândia a ondular e as pessoas a puxarem por nós», acrescentou.

Ao cortar a meta, Quentin Rew ainda teve força para algumas flexões de braços, antes de aceitar ajuda para ir para a tenda do apoio médico restabelecer-se. «Já não tinha força nas pernas, mas ainda consegui um restinho de energia nos braços para manifestar a minha solidariedade com o Isaac Makwala, que eu acho que sofreu à brava nestes campeonatos. Por isso, decidi imitá-lo.»

Quanto ao recorde nacional, explicou: «Sabia desde bastante cedo que estava em ritmo de recorde nacional. Andei a 4.30 durante 30 quilómetros e se conseguisse manter esse ritmo conseguiria bater o recorde. Nunca acabei tão bem uns 50 km, por isso fico muito contente por finalmente ter batido o recorde do Craig.»

Já a classificação depende de factores que o atleta não controla. «Faço a minha prova, mas nada posso fazer quanto ao facto de outros estarem à minha frente. Desta vez não consegui fazer melhor. Há dois anos [nos mundiais de Pequim] consegui chegar ao 10.º lugar, desta vez consegui chegar ao 12.º.»

Depois do primeiro título nacional de 50 km (em 2009, com 4.52.55) tem sido uma longa caminhada para Quentin Rew até chegar ao nível actual. Nos mundiais, foi quase sempre a melhorar: 24.º em 2011, 17.º em 2013, 10.º em 2015 (12.º em 2017). Nos Jogos Olímpicos foi 27.º em Londres-2012 e 12.º no Rio-2016.

Faltará agora igualar o feito de Norman Read, o neozelandês que em 1956 venceu os 50 km marcha dos Jogos Olímpicos de Melbourne. A marca então registada (4.30.42,8) já foi largamente superada por Quentin Rew, já só falta o título de campeão olímpico.

Entretanto, terá de voltar a sintonizar-se pela onda dos 20 km, uma vez que o próximo grande objectivo são os Jogos da Comunidade Britânica, em Abril de 2018, de cujo programa foi retirada a distância olímpica longa. Quentin Rew já bateu o recorde nacional da distância no início do ano, mas a marca alcançada (1.21.12, em Adelaide, na Austrália, a 19 de Fevereiro) não foi suficiente para se apurar. Rew irá participar no apuramento para esses 20 km no próximo mês de Dezembro, na cidade australiana de Melbourne.

sábado, 19 de agosto de 2017

Guy Thomas e Heather Lewis vencem marcha no «Manchester International»

Os pódios masculino e femininos dos 3.000 m marcha em Manchester.
Fotos: fb Cal Partington e Erika Kelly
Montagem: O Marchador
Os representantes do País de Gales, Guy Thomas, nos masculinos, e Heather Lewis, nos femininos, foram os vencedores da prova de marcha «mista» de 3.000 metros que integrou o programa do encontro de atletismo designado por «Manchester International», evento realizado no dia 16 de Agosto, em 2.ª edição, e que juntou 8 equipas.

Guy Thomas, que tem um recorde pessoal de 11.50,34, foi cronometrado em 12.20,49, posicionando-se à frente de Christopher Snook (Inglaterra), com 12.25,73, e de Tom Partington (equipa sub-20 da Grã-Bretanha), com 12.31,56, estes com recordes pessoais na distância. O português Francisco Reis, em representação do BAL (British Athletics League, 13.59,59), foi 9.º da geral individual e 6.º nos masculinos.

Heather Lewis registou 13.15,52, marca não muito longe do seu recorde (13.07,04), e por 36 centésimos de segundo superiorizou-se a Erika Kelly (Inglaterra), com 13.15,88. O pódio feminino ficou completo com a irlandesa Kate Veale (Seleção Internacional), com 13.29,21. As três primeiras senhoras foram 6.ª, 7.ª e 8.ª da geral.

A prova contou com 19 participantes, sendo o número de senhoras (11) superior ao dos homens (8).

Classificação
3.000 m marcha - prova mista
1. Guy Thomas (Wales), 12.20,49 - masc.
2. Christopher Snook (England), 12.25,73 - masc.
3. Tom Partington (GB Juniors), 12.31,56 - masc.
4. Luc Legon (Ribble Valley), 13.13,97 - masc.
5. Oisin Lane ( - ), 13.14,80 - masc.
6. Heather Lewis (Wales), 13.15,52 - fem.
7. Erika Kelly (England), 13.15,88 - fem.
8. Kate Veale (International Select), 13.29,21 - fem.
9. Francisco Reis (BAL/UKWL), 13.59,59 - masc.
10. Sarah Glennon ( - ), 14.42,22 - fem.
11. Ester Montaner (Hyde Park Harriers), 14.45,68 - fem.
12. Nicholas Dunphy (International Select), 14.49,42 - masc.
13. Rachel Glennon ( - ), 15.05,26 - fem.
14. Ana Garcia (GB Juniors), 15.22,21 - fem.
15. Jordan Price (Brecon), 15.24,39 - masc.
16. Molly Jade Davey (Scotland), 16.00,35 - fem.
17. Natalie Myers (Sheffield), 16.13,11 - fem.
18. Megan Stratton-Thomas (BAL/UKWL), 16.53,25 - fem.
19. Pagen Spooner (Wetherby), 17.18,07 - fem.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Máté Helebrand e o novo recorde de 50 km da Hungria

Máté Helebrand festeja o excelente desempenho nos mundiais
de Londres. Foto: Federação Húngara de Atletismo
Os marchadores húngaros parece quererem voltar a trazer o seu país para a ribalta mundial da marcha atlética. Longe vão os tempos do notável sucesso alcançado há mais de cem anos por György Sztantics, vencedor dos 3000 m marcha dos Jogos Olímpicos Intercalares de 1906, em Atenas. Depois brilharam Antal Róka (medalha de bronze nos 50 km dos Jogos Olímpicos Helsínquia-1952 e nos europeus de Berna-1954), Antal Kiss (3.º nos 20 km na Taça do Mundo de Varese-1963, 2.º nos 20 km da Taça do Mundo de Pescara-1965 e 2.º nos 50 km dos Jogos do México-1968) e Istvan Havasi (vencedor dos 50 km na Taça do Mundo de Varese-1963).

Mais recentes foram os êxitos de Sandor Urbanik (3.º nos 5000 m marcha dos europeus de pista coberta de Budapeste-1988 e 5.º nos 20 km dos europeus de 1998, também em Budapeste) e daquela que veio a ser a sua mulher, Maria Rosza Urbanikné (2.ª nos 10 km da Taça da Europa de Dudince-1998). Aliás, Sandor Urbanik chegou mesmo a deter todos os recordes nacionais da Hungria de marcha atlética desde as distâncias curtas em pista coberta até aos 50 km.

Só que no último par de anos, Viktória Madarász e Máté Helebrand têm demonstrado uma qualidade de resultados que resgatam a memória da grande marcha húngara de outros tempos. Sobre Madarász falaremos num dos próximos dias, tratemos hoje do desempenho londrino de Máté Helebrandt.

Atleta de 28 anos nascido em Nyíregyháza, Máté Helebrandt apresentava-se a estes campeonatos do mundo de atletismo para tomar parte na prova dos 50 km marcha, ostentando um currículo em que avultavam os quartos lugares nas provas de 20 km marcha dos europeus de Ostrava de sub-23 (2011) e das Universíadas de Guangju (2015). Há um ano, nos Jogos do Rio de Janeiro tinha sido 28.º também na distância olímpica mais curta. Vinha ainda creditado com um recorde pessoal de 3.53.54 h nos 50 km, marca que não fazia dele favorito para os melhores lugares.

E foi assim que o magiar partiu para a longa caminhada na manhã londrina de domingo passado. Enquanto lá na frente Yohann Diniz se instalava no comando sem que ninguém conseguisse dar-lhe luta, Helebrand andava pelos lugares do meio da classificação a ver no que tudo iria dar. Com 10 quilómetros seguia na 21.ª posição e tinha já 45.32 m, parcial que não prenunciava grande resultado, ainda que apontasse a um recorde pessoal por margem considerável. No entanto, como os 50 km nunca tinham sido uma distância a que Helebrand se tivesse dedicado com afinco no passado, era normal que houvesse margem considerável para progressão.

Mas a verdade é que as voltas ao circuito iam sendo cumpridas, os quilómetros iam-se escoando e o marchador húngaro ia também subindo na classificação e no ritmo de prova. De tal maneira que a meio da competição (25 quilómetros) era já 14.º classificado, com 1.52.33 h. Começava a perspectivar-se o ataque sério já não apenas à melhor marca pessoal mas também, sobretudo, ao recorde nacional que o histórico Sandor Urbanik estabelecera em 2001, no Grande Prémio de Dudince, e estava cifrado em 3.48.41 h. A meio da prova, o recorde nacional estava para ser batido por uns bons três minutos, assim Helebrand conseguisse uma segunda metade de prova sem fraquezas de maior.

E, de facto, a segunda parte da prova foi ainda melhor que a primeira. «A meio da prova sentia-me muito bem», declarou à imprensa húngara após a prova. «Quando vi o campeão do mundo de 2013 [Robert Heffernan], senti uma motivação muito grande. Sabia que os últimos 10-15 quilómetros seriam muito difíceis, mas tive grande apoio dos meus pais, da minha namorada e dos amigos que vieram em grande número da Hungria e me incentivaram até ao fim.»

Os tais amigos e familiares que vieram da Hungria bem podem dar por bem empregue o esforço da viagem, dado que, de facto, Máté Helebrand foi crescendo ao longo da prova e demonstrou na segunda metade ser um verdadeiro marchador de fundo. Aos 30 quilómetros era 12.º, com 2.14.41 h. Aos 40, 11.º, com 2.58.48 h. Subiria mais quatro lugares nos cinco quilómetros seguintes, para passar aos 45 com 3.21.22 h, no sétimo lugar. Por fim, cortaria a meta no sexto posto (terceiro europeu), com um recorde pessoal batido por quase dez minutos (faltaram dois segundos) e o recorde nacional superado por margem maior do que se imaginava aos 25 quilómetros: quatro minutos e 45 segundos! O novo melhor registo húngaro nos 50 km marcha passa então a estar estabelecido em 3.43.56 h.

«A meio da prova receava ter imposto um ritmo demasiado elevado, por isso achei melhor não correr riscos. Quando acabei, achei que, afinal, podia ter sido mais corajoso», declarou ao jornal «Nemzeti Sport».

Máté Helebrandt pode ter feito em Londres uma verificação de passagem para determinar a distância que vai privilegiar a caminho dos Jogos de Tóquio de 2020, como disse à imprensa. Pode ter feito também o seu teste em relação às distâncias com vista aos mundiais de selecções de 2018, verificando-se estar mais dotado para a distância longa. Mas uma coisa ninguém lhe tira: o excelente desempenho neste mundial de 50 km, catapultando-o para o lote dos atletas a seguir com atenção nos tempos mais próximos. Se confirmar o que conseguiu em Londres, poderá mesmo vir a firmar-se como o melhor marchador húngaro de sempre.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sul-africano Lebogang Shange evidenciou-se nos mundiais de Londres

Lebogang Shange, na perseguição aos primeiros lugares e
após a prova nos mundiais de Londres.
Fotos: Roger Sedres/ImageSA
Com a surpreendente quarta posição alcançada na prova dos 20 km marcha dos campeonatos mundiais de atletismo, que recentemente tiveram lugar na capital britânica, o sul-africano Lebogang Shange esteve ao mais alto nível, chegando a dar a sensação, nos últimos quilómetros da prova, de que chegaria à medalha.

Faltou muito pouco a este excelente atleta – o bronze ficou a apenas 14 segundos –, o primeiro sul-africano de cor negra a evidenciar-se ao mais alto nível mundial da marcha atlética após o período do apartheid. Bateu por 48 segundos o recorde do seu país (1.19.18), que era dele próprio desde que, em 2016, completou os 20 km de Adelaide em 1.20.06.

Quase como uma locomotiva que vai acelerando no seu percurso, Shange, que a meio da prova, era apenas o vigésimo classificado, a 23 segundos do grupo da dianteira, foi encetando uma fantástica recuperação e assumindo, quase sem se dar por ele, a liderança perante a incredulidade do russo Shirobokov, que haveria de conquistar a medalha de prata. Pagou caro o esforço despendido nas derradeiras voltas ao circuito mas, ainda assim, os seus cinco quilómetros finais foram percorridos a menos de 19 minutos.

É um atleta habituado a quebrar recordes em grandes competições internacionais. Nos mundiais de Pequim, em 2015, obtivera o tempo de 1.21.43, alcançando a 11.ª posição. Será uma das figuras nos próximos Jogos da Commonwealth, que terão lugar na Austrália, em 2018.

Em 2016, nos Jogos do Rio, Shange ficou muito desapontado com o seu resultado (um desolador 44.º lugar), que atribuiu, em parte, às muitas horas de viagem realizadas a poucos dias da competição e ao desgaste que isso naturalmente provocou.

Agora foi muito diferente. Nenhum pormenor foi descurado. O atleta, de 27 anos de idade, contando com o apoio de Chris Britz, seu treinador, passou dois meses na Austrália (2.º, com 1.21.00, nos Campeonatos da Oceânia), perdeu as celebrações do Natal em família e permaneceu três meses na Europa.

Qual o próximo passo na carreira deste simpático atleta? Procurar chegar a uma medalha, se não for no próximo Campeonato de Nações, em Taicang, na China (2018), nos mundiais de Doha, em 2019. E não está nada longe do recorde africano dos 20 km marcha, que o tunisino Hatem Ghoula detém com a marca de 1.19.00. Foi obtido há 20 anos, na cidade alemã de Eisenhüttenstadt, por este que é o único atleta africano a ter obtido uma medalha em provas de marcha de mundiais de atletismo – bronze em Osaca, na edição de 2007.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Eider Arévalo e Erica de Sena, vencedores do Challenge Mundial de Marcha 2017

Eider Arévalo nos mundiais de Londres de 2017 e Erica
de Sena em 2015, nos mundiais de Pequim.
Fotos: magazinelatino.com e Zimbio
Montagem: O Marchador
O colombiano Eider Arévalo (campeão mundial dos 20 km marcha) e a brasileira Erica de Sena (4.ª classificada nos 20 km dos mundiais de Londres) triunfaram na edição de 2017 do Challenge Mundial de Marcha, iniciativa patrocinada pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF na versão inglesa), recolhendo, cada um deles, a quantia de vinte e cinco mil dólares americanos (cerca de 21.000 euros).

Com o epílogo do Challenge (a primeira edição foi em 2003) marcado para os Mundiais de Londres, na prova masculina o campeão mundial dos 20 km marcha assegurou pontuação suficiente (36 pontos) para garantir a vitória (pela primeira vez no pódio deste evento), realizando quatro competições (três era o mínimo exigido) onde, além dos mundiais, venceu em Ciudad Juárez (México), nos Pan-americanos de Marcha (Lima, Peru) e em Rio Maior (Portugal).

Na segunda posição classificou-se Caio Bonfim (25 pontos/6 provas), o melhor resultado de sempre (em 2014 foi 3.º classificado). Foi medalha de bronze nos 20 km marcha dos mundiais de atletismo, a primeira medalha obtida por um marchador brasileiro num grande evento internacional. No terceiro lugar classificou-se o equatoriano Andrés Chocho (25 pontos/4 provas), repetindo a classificação de 2016.

No setor feminino, a brasileira Erica de Sena superiorizou-se às restantes atletas, fruto de exibições muito regulares nas cinco competições em que interveio, obtendo 34 pontos (foi 3.ª em 2015). À beira de uma medalha nos mundiais de Londres (4.ª nos 20 km marcha), a atleta pernambucana, que vive há vários anos no Equador, é casada com Andrés Chocho, seu treinador. Foi segunda em Ciudad Juárez, primeira em Monterrey, quarta em Taicang e primeira na Corunha.

María Guadalupe González (México), medalha de prata nos 20 km dos mundiais e que triunfara na edição de 2016, foi agora segunda (28 pontos/3 provas) e a brilhante Inês Henriques, a primeira marchadora portuguesa a alcançar uma medalha de ouro em campeonatos mundiais, nos 50 km e com um novo recorde mundial, assegurou o terceiro lugar do pódio (24 pontos em 4 provas – a dos mundiais não foi incluída). De assinalar ainda que outra atleta portuguesa, Ana Cabecinha, obteve igualmente 24 pontos (4.º lugar), com o desempate a favorecer a atleta ribatejana, graças ao segundo lugar em Monterrey (melhor classificação entre ambas).

O Challenge Mundial de Marcha integrou este ano, na categoria A, os mundiais de Londres, na categoria B, as provas de Juárez, Monterrey, Rio Maior, Taicang e La Coruña, todas pontuáveis para os 10 primeiros classificados (12-10-8-7-6-5-4-3-2-1), e, na categoria C, as provas de Adelaide (Campeonatos da Oceânia), Nomi City (Campeonatos da Ásia), Lima (Campeonatos Pan-americanos de Marcha), Podebrady (Taça da Europa) e Durban (Campeonatos de África), pontuáveis até ao sexto classificado (6-5-4-3-2-1).

Os resultados finais são baseados na soma das três melhores pontuações (no mínimo, deverão participar em três provas, não sendo contabilizadas aquelas em que, eventualmente, sejam desclassificados). Independentemente dos prémios monetários que as organizações das provas da categoria B se comprometeram (regulamento) a distribuir pelos seis primeiros classificados (ambos os sexos), de aproximadamente 18 mil euros para cada evento, a IAAF vai premiar os oito primeiros da classificação geral (masculinos e femininos) com prémios monetários no montante global de 136 mil euros.

Classificações finais (*)
Masculinos (10 primeiros)
1.º, Eider Arévalo (Colômbia), 36 pontos (4 eventos)
2.º, Caio Bonfim (Brasil), 25 (6)
3.º, Andrés Chocho (Equador), 25 (4)
4.º, Lebogang Shange (África do Sul), 20 (4)
5.º, Evan Dunfee (Canadá), 19 (5)
6.º, Perseus Karlström (Suécia), 19 (7)
7.º, Álvaro Martín (Espanha), 18 (4)
8.º, Benjamin Thorne (Canadá), 17 (3)
9.º, Horacio Nava (México), 17 (4)
10.º, Hassanine Sebei (Tunísia), 16 (2)
 

Femininos (10 primeiras)
1.ª, Erica de Sena (Brasil), 34 pontos (5 eventos)
2.ª, María Guadalupe González (México), 28 (3)
3.ª, Inês Henriques (Portugal), 24 (4)
4.ª, Ana Cabecinha (Portugal), 24 (5)
5.ª, Kimberly García (Peru), 23 (4)
6.ª, Jiayu Yang (China), 22 (2)
7.ª, Sandra Arenas (Colômbia), 22 (4)
8.ª, Na Wang (China), 17 (3)
9.ª, Antonella Palmisano (Itália), 14 (2)
10.ª, Alana Barber (Nova Zelândia), 13 (5)


(*) Fonte: IAAF

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Heffernan anunciou o fim da carreira

Robert Heffernan e a despedida em Londres 2017.
Fotos: INPHO/Morgan Treacy
Montagem: O Marchador
Depois de ter conseguido um lugar de finalista (8.º lugar) nos 50 km marcha dos recentes Campeonatos do Mundo de Atletismo que decorreram em Londres, o irlandês Robert Heffernan, de 39 anos de idade, anunciou o fim de uma significativa carreira desportiva em que participou em competições do mais alto nível, particularmente em 5 Jogos Olímpicos, de Sydney 2000 a Rio 2016.

Depois de ter saído da «sombra» de companheiros de treino como Robert Korzeniowski, Ilya Markov ou Paquillo Fernández, Heffernan viria a conseguir a medalha de ouro nos mundiais de Moscovo 2013 (50 km), e antes, medalhas de bronze nos Jogos de Londres 2012 (50 km) e Europeus de Barcelona 2010 (20 km).

Natural de Cork, onde vive, referiu que a sua última prova agora em Londres se revelou muito difícil, mas que pela despedida e pelo entusiasmo de milhares de espectadores, muitos dos quais irlandeses e rostos familiares que o apoiaram, voltou a ser ele próprio, especialmente nos últimos 10 km, terminando de forma positiva, algo para agradecer às pessoas e a todos os que o apoiaram.

O blogue «O Marchador» deseja a Rob Heffernan as maiores felicidades na vida profissional e familiar, esta que ele tanto deseja pois, como refere, sente falta de partilhar coisas com os seus quatro filhos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Eider Arévalo sagra-se campeão mundial de 20 km marcha

Caio Bonfim, Eider Arévalo e Sergei Shirobokov.
Foto: Reuters
O colombiano Eider Arévalo conquistou este domingo a medalha de ouro na prova de 20 km marcha em Londres, durante a jornada final da 16.ª edição dos mundiais de atletismo. Arévalo, com 1.18.53 h (recorde da Colômbia), impôs-se ao russo-neutro Sergei Shirobokov (1.18.55) e ao brasileiro Caio Bonfim (1.19.04, recorde do Brasil).

Os primeiros quilómetros da prova masculina, que teve início quando os termómetros já chegavam aos 20ºC, não primaram pela velocidade, com os participantes num grupo quase compacto a terminar a primeira volta (2 km) em 8.00 m. Liderava então o britânico Tom Bosworth, assumindo uma técnica tão ostensivamente irregular que não foi surpresa a sua desclassificação, ocorrida perto da passagem aos 12 quilómetros.

Mas antes disso, no final da primeira légua, era o francês Kevin Campion quem marcava o ritmo, passando nessa fase em 19.55 m, à frente de um grupo que ainda se compunha de cerca de vinte unidades.

Até meio da competição, cumprido em 39.48 m pelo pelotão da dianteira ainda com 14 atletas, seriam o chinês Kaihua Wang e o japonês Isamu Fujisawa a impor leis, marcando um ritmo que acabaria por diminuir um pouco mais o grupo. Pontificavam então o russo Sergei Shirobokov, o brasileiro Caio Bonfim, o espanhol Álvaro Martín, o alemão Christopher Linke, o australiano Dane Bird-Smith e o colombiano Eider Arévalo, além dos dois asiáticos.

Passados os 15 quilómetros entrou-se na fase de maior incerteza, com atletas da frente a atrasar-se (Martín, Bird-Smith) e com o aparecimento surpreendente do sul-africano Lebogang Shange, que, parecendo surgir do nada, acabou por ajudar a esfrangalhar o grupo da frente e assumindo mesmo a liderança.

Tão depressa cedeu na frente como lá tinha chegado, mas conseguiu não se atrasar mais do que o quarto lugar final, enquanto Arévalo, Shirobokov e Caio Bonfim decidiam no quilómetro final que medalha levava cada um.

Prevaleceria o colombiano, que a cerca de 400 metros da meta conseguiu desenvencilhar-se de Shirobokov para substituir o espanhol Miguel Ángel López como campeão do mundo, enquanto Bonfim se contentava com a medalha de bronze, adornada ainda por um recorde nacional. Com 1.19.18 h, Lebogang Shange pode não ter recebido uma medalha pelo seu quarto lugar, mas levou para casa também um novo recorde sul-africano.

Légua a légua, foram os seguintes os parciais do novo campeão do mundo: 19.56, 19.54, 19.43 e 19.20 m.

Classificações
20 km masculinos
1.º, Eider Arévalo (Colômbia), 1.18.53
2.º, Sergei Shirobokov (neutro), 1.18.55
3.º, Caio Bonfim (Brasil), 1.19.04
4.º, Lebogang Shange (África do Sul), 1.19.18
5.º, Christopher Linke (Alemanha), 1.19.21
6.º, Dane Bird-Smith (Austrália), 1.19.28
7.º, Kaihua Wang (China), 1.19.30
8.º, Álvaro Martín (Espanha), 1.19.41
9.º, Alberto Amezcua (Espanha), 1.19.46
10.º, Miguel Ángel López (Espanha), 1.19.57
11.º, Isamu Fujisawa (Japão), 1.20.04
12.º, Artur Brzozowski (Polónia), 1.20.33
13.º, Diego García (Espanha), 1.20.34
14.º, Eiki Takahashi (Japão), 1.20.36
15.º, Nils Brembach (Alemanha), 1.20.42
16.º, Giorgio Rubino (Itália), 1.20.47
17.º, Hagen Pohle (Alemanha), 1.20.53
18.º, Brian Pintado (Equador), 1.21.17
19.º, Xiangqian Jin (China), 1.21.24
20.º, Damian Blocki (Polónia), 1.21.29
21.º, Erick Barrondo (Guatemala), 1.21.34
22.º, Aliaksandr Liakhovich (Bielorrússia), 1.21.39
23.º, Irfan Kolothum Thodi (Índia), 1.21.40
24.º, Kevin Campion (França), 1.21.46
25.º, Francesco Fortunato (Itália), 1.22.01
26.º, Hyunsub Kim (Coreia do Sul), 1.22.08
27.º, Ruslan Dmytrenko (Ucrânia), 1.22.26
28.º, Mauricio Arteaga (Equador), 1.22.28
29.º, Marius Žiukas (Lituânia), 1.22.38
30.º, Samuel Ireri Gathimba (Quénia), 1.22.52
31.º, Byeongkwang Choe (Coreia do Sul), 1.22.54
32.º, Ivan Losev (Ucrânia), 1.23.03
33.º, César Augusto Rodríguez (Peru), 1.23.05
34.º, Rui Wang (China), 1.23.09
35.º, Jesús Tadeo Vega (México), 1.23.10
36.º, Georgiy Sheiko (Casaquistão), 1.23.11
37.º, Perseus Karlström (Suécia), 1.23.36
38.º, Daisuke Matsunaga (Japão), 1.23.39
39.º, Yerko Araya (Chile), 1.23.46
40.º, José Alejandro Barrondo (Guatemala), 1.23.47
41.º, Callum Wilkinson (Grã-Bretanha), 1.23.54
42.º, Aléxandros Papamichaíl (Grécia), 1.23.56
43.º, Pedro Daniel Gómez (México), 1.24.11
44.º, Anatole Ibañez (Suécia), 1.24.23
45.º, Ersin Tacir (Turquia), 1.24.43
46.º, Juan Manuel Cano (Argentina), 1.24.49
47.º, Manuel Esteban Soto (Colômbia), 1.24.56
48.º, Matteo Giupponi (Itália), 1.25.20
49.º, Dzmitry Dziubin (Bielorrússia), 1.25.41
50.º, Singh Devender (Índia), 1.25.47
51.º, Benjamin Thorne (Canadá), 1.26.56
52.º, José María Raymundo (Guatemala), 1.27.09
53.º, Jakub Jelonek (Polónia), 1.27.43
54.º, Ganapathi Krishnan (Índia), 1.28.32
55.º, Serhiy Budza (Ucrânia), 1.29.25
56.º, Rhydian Cowley (Austrália), 1.30.40
57.º, Daeho Kim (Coreia do Sul), 1.30.41
58.º, Mert Atli (Turquia), 1.31.26
Desistente: Salih Korkmaz (Turquia), Eder Sánchez (México) e Simon Wachira (Quénia).
Desclassificados: Tom Bosworth (Grã-Bretanha), Alex Wright (Irlanda) e Richard Vargas (Venezuela).

Jiayu Yang, campeã mundial de 20 km marcha

Guadalupe González, Jiayu Yang e Antonella Palmisano.
Foto: FIDAL COLOMBO/FIDAL
A chinesa Jiayu Yang sagrou-se este domingo campeã do mundo de 20 km marcha, em Londres, durante a jornada final da 16.ª edição dos mundiais de atletismo. Yang cumpriu a distância em 1.26.18 h, superando nos últimos metros a mexicana María Guadalupe González (1.26.19) e a italiana Antonella Palmisano (1.26.36). Única portuguesa a competir nos 20 km marcha nestes mundiais de Londres, Ana Cabecinha terminou na sexta posição, com 1.28.57 h (melhor marca nacional da época).

Com um início um tanto lento (22.22 aos 5 km), a prova feminina teve até meio da competição um grupo de liderança que se foi reduzindo até às 10 unidades, que cumpriram a meia prova em 44.10 m. Aí estavam praticamente todas as principais candidatas à vitória e aos lugares de honra, com relevo para Palmisano e González, as mais empenhadas na marcação do ritmo. Ana Cabecinha contava-se entre elas, mas cerca dos 11 quilómetros haveria de atrasar-se para não mais recolar às da dianteira.

A italiana e a mexicana voltariam a forçar o ritmo à passagem pelos 12 quilómetros, ficando na companhia das colegas com quem iriam protagonizar os momentos mais decisivos da prova: a colombiana Sandra Arenas, a brasileira Erica de Sena e as chinesas Jiayu Yang e Xiuzhi Lyu.

A caminho dos 15 quilómetros, Sandra Arenas seria a primeira a atrasar-se no grupo do comando, numa fase em que as chinesas assumiam maior protagonismo, ao lado de Guadalupe Sánchez. Conseguiriam descolar a brasileira perto da entrada para a última volta de dois quilómetros, conseguindo o mesmo com Palmisano pouco mais adiante.

Na volta final, todas as três da frente pareciam pouco controladas do ponto de vista técnico, com maior evidência para Lyu, que recebeu a terceira nota de desclassificação já no último quilómetro. Seria afastada da prova no canal de acesso à meta (depopis de ter ignorado uma primeira amostragem da raqueta vermelha a cerca de 250 metros da meta!), enquanto a compatriota Yang se impunha a Guadalupe Sánchez, para suceder a Hong Liu (vencedora em Pequim-2015) como detentora do ceptro de campeã mundial. Antonella Palmisano subia ao terceiro lugar, fechando o pódio, enquanto Erica de Sena ascendia a quarta com a melhor marca de sempre de uma atleta da América do Sul e Sandra Arenas cortava a meta na quinta posição, com novo máximo da Colômbia.

Ana Cabecinha, que ao atrasar-se tinha caído para o nono lugar, ganhou três posições nas voltas finais e conseguiu concluir num sexto lugar que constitui um dos seus melhores desempenhos em campeonatos do mundo, depois de ter sido quarta em Pequim-2015.

Eis os parciais da vencedora: 22.22, 21.48, 21.23 e 20.45 m.

Eis agora os de Ana Cabecinha: 22.22, 21.48, 22.01 e 22.46 m.

Classificações
20 km femininos
1.ª, Jiayu Yang (China), 1.26.18
2.ª, María Guadalupe González (México), 1.26.19
3.ª, Antonella Palmisano (Itália), 1.26.36
4.ª, Erica De Sena (Brasil), 1.26.59
5.ª, Sandra Arenas (Colômbia), 1.28.10
6.ª, Ana Cabecinha (Portugal), 1.28.57
7.ª, Kimberly García (Peru), 1.29.13
8.ª, Na Wang (China), 1.29.26
9.ª, Laura García-Caro (Espanha), 1.29.29
10.ª, María Pérez (Espanha), 1.29.37
11.ª, Mirna Ortíz (Guatemala), 1.30.01
12.ª, Viktória Madarász (Hungria), 1.30.05
13.ª, Paola Pérez (Equador), 1.30.09
14.ª, Eleonora Giorgi (Itália), 1.30.34
15.ª, Valentina Trapletti (Itália), 1.30.35
16.ª, Brigita Virbalyté-Dimsiené (Lituânia), 1.30.45
17.ª, Sandra Galvis (Colômbia), 1.31.13
18.ª, Kumiko Okada (Japão), 1.31.19
19.ª, Živilé Vaiciukeviciuté (Lituânia), 1.31.23
20.ª, Inna Kashyna (Ucrânia), 1.31.24
21.ª, Ainhoa Pinedo (Espanha), 1.31.28
22.ª, Regan Lamble (Austrália), 1.31.30
23.ª, Ángela Castro (Bolívia), 1.31.34
24.ª, Antigóni Drisbióti (Grécia), 1.32.03
25.ª, Maria Michta-Coffey (E.U. América), 1.32.14
26.ª, Nastassia Yatsevich (Bielorrússia), 1.32.22
27.ª, Barbara Kovács (Hungria), 1.32.44
28.ª, Maritza Guamán (Equador), 1.33.06
29.ª, Bethan Davies (Grã-Bretanha), 1.33.10
30.ª, Yeongeun Jeon (Coreia do Sul), 1.33.29
31.ª, Andreea Arsine (Roménia), 1.33.46
32.ª, Valentyna Myronchuk (Ucrânia), 1.33.59
33.ª, Miranda Melville (E.U. América), 1.34.47
34.ª, Ana Veronica Rodean (Roménia), 1.34.50
35.ª, Siu Nga Ching (Hong Kong), 1.35.04
36.ª, Mária Czaková (Eslováquia), 1.35.11
37.ª, Grace Wanjiru Njue (Quénia), 1.35.22
38.ª, Beki Smith (Austrália), 1.35.31
39.ª, Chahinez Nasri (Tunísia), 1.35.45
40.ª, Gemma Bridge (Grã-Bretanha), 1.36.04
41.ª, Johana Ordóñez (Equador), 1.36.27
42.ª, Khushbir Kaur (Índia), 1.36.41
43.ª, Claire Tallent (Austrália), 1.37.05
44.ª, Yehualeye Beletew (Etiópia), 1.37.55
45.ª, Monika Vaiciukeviciuté (Lituânia), 1.38.08
46.ª, Milángela Rosales (Venezuela), 1.38.08
47.ª, Diana Aydosova (Casaquistão), 1.38.16
48.ª, Daseul Lee (Coreia do Sul), 1.38.54
49.ª, Laura Polli (Suíça), 1.39.05
50.ª, Polina Repina (Casaquistão), 1.39.56
51.ª, Rita Récsei (Hungria), 1.40.26
52.ª, Regina Rykova (Casaquistão), 1.41.59
Desistentes: Anežka Drahotová (República Checa) e Déspina Zapounídou (Grécia).
Desclassificadas: Klavdiya Afanassyeva (neutra), Xiuzhi Lyu (China), Yeseida Carrillo (Colômbia), Agnese Pastare (Letónia), María Guadalupe Sánchez México) e Nadiya Borovska (Ucrânia).

domingo, 13 de agosto de 2017

Yohann Diniz vence mundial de 50 km pela primeira vez

Finalmente, o título mundial para Yohann Diniz.
Foto: AIFA
O marchador francês Yohann Diniz venceu este domingo os 50 km marcha masculinos dos Mundiais de Atletismo de Londres, ao perfazer a distância em 3.33.12 h. Nos lugares imediatos terminaram os japoneses Hirooki Arai (3.41.17) e Kai Kobayashi (3.41.19), seus colegas no pódio. Entre os portugueses, João Vieira foi 11.º (3.45.28), bem perto do seu recorde nacional, e Pedro Isidro terminou na 32.ª posição (4.02.30), depois de ter passado grande parte da prova a caminhar para recorde pessoal.

Três vezes campeão da Europa de 50 km (2006, 2010 e 2014), Yohann Diniz tinha como melhor classificação em campeonatos mundiais o segundo lugar obtido em 2007 (Ósaca), também na distância longa, atrás do australiano Nathan Deakes. Pelo meio havia excelentes classificações também em taças da Europa e do mundo de marcha, recordes mundiais de 20 e 50 km em estrada e de 50 mil metros em pista, mas faltava brilhar nos mundiais de atletismo. Esse dia chegou, finalmente.

Tal como já sucedera noutras ocasiões, o marchador francês deu mais um recital de marcha atlética, não só para alcançar o primeiro título de campeão do mundo mas também para terminar com dois outros recorde: mais de oito minutos de avanço sobre o segundo classificado, facto nunca antes ocorrido em provas de 50 km marcha dos mundiais de atletismo, e título mundial aos 39 anos de idade, facto nunca antes ocorrido em qualquer prova ou concurso dos mundiais de atletismo.

Além do mais, Diniz só não bateu o seu próprio recorde mundial da distância (3.32.33, Zurique, 2014) porque saiu do circuito durante alguns segundos logo nos primeiros minutos de prova e no final se entreteve a enrolar uma bandeira de França à volta do pescoço e a cumprimentar espectadores enquanto se encaminhava para a meta.

Foi logo aos três quilómetros de prova que Yohann Diniz se isolou na frente da competição, mas de imediato saiu para a casa de banho, retomando a prova alguns segundos mais tarde, integrado no grupo que momentos antes perseguia. Se a primeira «fuga» não sortiu efeito, pouco seria preciso esperar para que o francês se destacasse a título definitivo. Aproveitando uma aceleração de Horacio Nava, Diniz seguiu o mexicano, com quem deu uma volta junto (2 km), para ficar sozinho cerca dos sete quilómetros de prova.

Aos dez quilómetros, cumpridos em 44.28 m, tinha 41 de vantagem para Nava e 55 segundos para o primeiro grande grupo, composto por 15 unidades. Marchando em ritmo cada veza mais elevado, o francês deleitou-se a ver a vantagem crescer a cada passada. A meio da prova, Yohann Diniz registava 1.48.24 h, com o grupo perseguidor reduzido a sete unidades a passar dois minutos e 59 segundos mais tarde.

Até final, o interesse da prova foi-se centrando na expectativa quanto a novo recorde mundial (que não chegou a acontecer) e na curiosidade por ver quem iria impor-se na luta pelos lugares do pódio. Neste último caso, a acção era protagonizada pelo finlandês Aleksi Ojala, pelos japoneses Arai e Kobayashi, pelo canadiano Evan Dunfee, pelo chinês Wei Yu e pelos equatorianos Andrés Chocho e Claudio Villanueva (este, quando ainda espanhol, venceu no Montijo, em 2013, os nacionais conjuntos de Portugal e Espanha de 50 km).

Após ataques e contrataques, desistências e desclassificações, os japoneses Hirooki Arai e Kai Kobayashi acabaram por ficar sozinhos na perseguição ao francês, pactuando entre eles a distribuição dos segundo e terceiro lugares (com vantagem para Arai). E assim, em glória nipónica, terminava a luta pelo pódio.

Nos lugares imediatos, a fase final da competição viu posicionarem-se atletas que tinham feito uma prova entre o cauteloso e o discreto, pouco se mostrando aos da frente mas terminando em força e acabando por superar quase todos os que tinham estado mais de três horas na luta pelo pódio. Foram os caso do ucraniano Igor Glavan, que ganhou oito lugares na segunda metade para terminar à porta do pódio; o terceiro japonês, Satoshi Maruo, brilhante quinto posicionado na classificação final; e sobretudo do húngaro Máté Helebrand, que, com 3.43.56 h, tirou quase dez minutos ao recorde pessoal (3.53.54 à partida) e estabeleceu novo recorde da Hungria na distância.

Ainda que num plano um pouco mais abaixo, também João Vieira fez uma prova de grande recuperação. Iniciando os 50 km nos lugares mais recuados, como é seu hábito, o português foi aumentando gradualmente o ritmo, cumprindo cada trecho de dez quilómetros com os seguintes parciais: 46.17, 45.32, 45.16, 44.13 e 44.10 m. Pena foi que um início tão discreto tivesse comprometido o ataque ao seu recorde nacional, cifrado desde 2012 em 3.45.17 h, e que seria uma prémio justíssimo para o marchador de 41 anos. Ficou a escassos 11 segundos, mas sempre poderá dizer ter subido do 33.º lugar aos 5 km e do 27.º a meio da prova até à 11.ª posição final.

Menos feliz foi Pedro Isidro, que até aos 30 quilómetros rolou na companhia dos espanhóis Francisco Arcilla e Iván Pajuelo, tudo apontando para uma marca final ao nível do recorde pessoal (3.55.44). No entanto, após essa passagem, o atleta do Benfica enfrentou vários problemas e acabou por ver esfumar-se a oportunidade que mais uma vez deixou escapar para melhor o seu registo pessoal.

Voltando ao vencedor, Yohann Diniz afirmou no final da prova estar feliz pela vitória, que dedicou também um pouco à família em Portugal, que o acompanha a partir de Mirandela. Diniz é descendente de portugueses e contou ter recebido os parabéns dos familiares transmontanos. «Também lhes quero dedicar esta vitória», afirmou, acrescentando tratar-se de um dia especial para França e Portugal, graças à vitória também de Inês Henriques nos 50 km femininos. «Fico muito contente pela Inês, por ter conquistado o primeiro título de 50 km femininos», afirmou.

Nota final para assinalar os parciais por cada dez quilómetros do novo campeão mundial, Yohann Diniz: 44.28, 42.50, 42.33, 41.40 e 41.41 m. Não está ao alcance de qualquer um!

Classificação
50 km masculinos
1.º, Yohann Diniz (França), 3.33.12
2.º, Hirooki Arai (Japão), 3.41.17
3.º, Kai Kobayashi (Japão), 3.41.19
4.º, Igor Glavan (Ucrânia), 3.41.42
5.º, Satoshi Maruo (Japão), 3.43.03
6.º, Máté Helebrand (Hungria), 3.43.56
7.º, Rafal Augustyn (Polónia), 3.44.18
8.º, Robert Heffernan (Irlanda), 3.44.41
9.º, Marco De Luca (Itália), 3.45.02
10.º, Carl Dohmann (Alemanha), 3.45.21
11.º, João Vieira (Portugal), 3.45.28
12.º, Quentin Rew (Nova Zelândia), 3.46.29
13.º, Karl Junghannss (Alemanha), 3.47.01
14.º, Aleksi Ojala (Finlândia), 3.47.20
15.º, Evan Dunfee (Canadá), 3.47.36
16.º, Horacio Nava (México), 3.47.53
17.º, José Ignacio Díaz (Espanha), 3.48.08
18.º, Claudio Villanueva (Equador), 3.49.27
19.º, Ivan Banzeruk (Ucrânia), 3.49.49
20.º, Jorge Armando Ruiz (Colômbia), 3.50.37
21.º, José Leyver Ojeda (México), 3.51.17
22.º, Rafal Fedaczynski (Polónia), 3.52.11
23.º, Jarkko Kinnunen (Finlândia), 3.55.44
24.º, Adrian Blocki (Polónia), 3.55.49
25.º, Mathieu Bilodeau (Canadá), 3.56.54
26.º, Francisco Arcilla (Espanha), 3.57.27
27.º, Marian Zakalnytstyi (Ucrânia), 3.57.29
28.º, Anders Hansson (Suécia), 3.58.00
29.º, Chilsung Park (Coreia do Sul), 3.59.46
30.º, Wenbin Niu (China), 4.01.35
31.º, Narcis Stefan Mihaila (Roménia), 4.02.27
32.º, Pedro Isidro (Portugal), 4.02.30
33.º, Ronal Quispe (Bolívia), 4.08.22
Desistentes: Michele Antonelli (Itália), Luis Fernando López (Colômbia), Dušan Majdan (Eslováquia), Artur Mastianica (Lituânia), Iván Pajuelo (Espanha) e Wei Yu (China).
Desclassificados: Edward Araya (Chile), Qianlong Wu (China), Andrés Chocho (Equador), Veli-Matti Partanen (Finlândia), Dominic King (Grã-Bretanha), Omar Zepeda (México), Håvard Haukenes (Noruega), Florin Alin Stirbu (Roménia) e Alejandro Francisco Florez (Suíça).

Inês Henriques campeã e recordista do mundo de 50 km marcha

Inês Henriques, a primeira campeã mundial de 50 km marcha.
Foto: IAAF/streaming
Favorita incontestada à partida, Inês Henriques tornou-se este domingo a primeira campeã do mundo de 50 km marcha, vencendo em Londres a prova da distância da 16.ª edição dos mundiais de atletismo. A marchadora portuguesa concluiu a prova em 4.05.56 h, batendo desta forma o recorde mundial que a própria atleta estabelecera em 15 de Janeiro, em Porto de Mós, e estava cifrado em 4.08.26 h.

A marchadora de Rio Maior dominou a prova desde o princípio, ainda que na primeira metade da competição tivesse tido na liderança a companhia permanente da chinesa Hang Yin. No entanto, coube sempre à portuguesa a marcação do ritmo, numa opção que viria a dar fruto perto dos 30 quilómetros, quando Inês Henriques se isolou na frente para não mais ser importunada na caminhada para o título e o recorde mundial.

Mais para trás Hang Yin nunca viu posto em causa o segundo lugar, terminando com um recorde pessoal de 4.08.58 h. Durante os primeiros 16 quilómetros houve um segundo grupo de que faziam parte Nair da Rosa (Brasil), Shuqing Yang (China) e Kathleen Burnett (EUA). A chinesa conseguiria na segunda metade da prova garantir a terceira posição e consequente subida ao pódio, enquanto Burnett se atrasou e terminou na quarta posição. Nair da Rosa desistiu, tal como Susan Randall (EUA), enquanto Erin Talcott, que integrara a selecção (masculina) dos Estados Unidos nos mundiais de marcha por selecções de 2016, em Roma, foi desclassificada cerca dos oito quilómetros.

Para a atleta portuguesa, os parciais por cada dez quilómetros foram os seguintes: 49.22, 48.37, 48.36, 48.39 e 50.42 m. Ou seja, depois de uma primeira fase relativamente acessível (49.22 nos primeiros dez quilómetros), dois trechos bem mais rápidos que acabaram por ditar a lei do mais forte (48.37 e 48.36). Já isolada no primeiro lugar, Inês ainda manteria o ritmo dos 30 aos 40 quilómetros (48.39) e mesmo mais uma ou duas voltas, para só na fase final entrar em dificuldade, para cumprir o troço 40-50 km em 50.42 m, mas já com a vitória e o recorde mundial assegurados.

No final da prova, Inês Henriques manifestou-se muito contente com o desempenho neste campeonato, afirmando ter cumprido todos os objectivos que se propusera atingir: ser campeã do mundo, bater o recorde mundial e baixar das quatro horas e seis minutos. Resta agora saber para quando uma marca a rondar as quatro horas, como afirmara ser seu intento no início do ano.

Classificação
50 km femininos
1.ª, Inês Henriques (Portugal), 4.05.56
2.ª, Hang Yin (China), 4.08.58
3.ª, Shuqing Yang (China), 4.20.49
4.ª, Kathleen Burnett (E.U. América), 4.21.51
Desclassificada: Erin Talcott (E.U. América).
Desistentes: Nair Da Rosa (Brasil) e Susan Randall (E.U. América).

20 km masculinos - lista de saída (Londres-2017)

Montagem: O Marchador
64 atletas de 31 países compõem a lista de saída da última prova de marcha do programa dos mundiais de Londres, os 20 km masculinos, a iniciar-se às 14h20.

Presente nos campeonatos encontra-se o líder mundial do ano, o jovem chinês de 23 anos de idade, Kaihua Wang, com 1.17.54, marca obtida em Huangshan, a 4 de Março, o único a baixar da 1 hora e 18 minutos na temporada.

Yusuke Suzuki, do Japão, com 1.16.36 em Nomi-2015, e Jefferson Pérez, do Equador, com 1.17.21 em Paris-2003, são os detentores dos recordes mundiais e dos campeonatos, respetivamente.

A lista de saída é a seguinte:
Dorsal, nome, país, marca 2017 / recorde pessoal
350: Sergei Shirobokov (ANA - *Neutro), 1.18.25 / 1.18.25
351: Juan Manuel Cano (ARG - Argentina), 1.23.44 / 1.22.10
353: Dane Bird-Smith (AUS - Austrália), 1.19.37 / 1.19.37
355: Rhydian Cowley (AUS - Austrália), 1.22.09 / 1.22.07
362: Dzmitry Dziubin (BLR - Bielorrússia), 1.22.21 / 1.22.21
363: Aliaksandr Liakhovich (BLR - Bielorrússia), 1.21.12 / 1.21.12
365: Caio Bonfim (BRA - Brasil), 1.21.04 / 1.19.42
371: Benjamin Thorne (CAN - Canadá), 1.21.16 / 1.19.55
374: Yerko Araya (CHI - Chile), 1.21.56 / 1.21.26
378: Xiangqian Jin (CHN - China), 1.19.12 / 1.19.12
380: Kaihua Wang (CHN - China), 1.17.54 / 1.17.54
381: Rui Wang (CHN - China), 1.19.23 / 1.19.23
384: Eider Arévalo (COL - Colômbia), 1.20.40 / 1.19.45
387: Manuel Esteban Soto (COL - Colômbia), 1.21.13 / 1.20.36
390: Mauricio Arteaga (ECU - Equador), 1.23.26 / 1.21.08
393: Brian Pintado (ECU - Equador), 1.21.39 / 1.21.39
398: Alberto Amezcua (ESP - Espanha), 1.21.18 / 1.21.18
402: Diego García (ESP - Espanha), 1.21.56 / 1.21.36
405: Miguel Ángel López (ESP - Espanha), 1.20.21 / 1.19.14
406: Álvaro Martín (ESP - Espanha), 1.19.57 / 1.19.36
417: Kevin Campion (FRA - França), 1.20.28 / 1.20.28
419: Tom Bosworth (GBR - Grã-Bretanha), 1.20.58 / 1.20.13
424: Callum Wilkinson (GBR - Grã-Bretanha), 1.22.17 / 1.22.17
426: Nils Brembach (GER - Alemanha), 1.20.43 / 1.20.43
429: Christopher Linke (GER - Alemanha), 1.18.59 / 1.18.59
430: Hagen Pohle (GER - Alemanha), 1.21.41 / 1.19.58
431: Aléxandros Papamichaíl (GRE - Grécia), 1.22.46 / 1.21.12
432: Erick Barrondo (GUA - Guatemala), 1.22.40 / 1.18.25
433: José Alejandro Barrondo (GUA - Guatemala), 1.23.30 / 1.23.30
435: José María Raymundo (GUA - Guatemala), 1.22.42 / 1.22.42
439: Singh Devender (IND - Índia), 1.21.38 / 1.20.21
441: Irfan Kolothum Thodi (IND - Índia), 1.20.59 / 1.20.21
442: Ganapathi Krishnan (IND - Índia), 1.22.58 / 1.21.41
448: Alex Wright (IRL - Irlanda), 1.21.17 / 1.21.17
454: Francesco Fortunato (ITA - Itália), 1.22.04 / 1.22.04
455: Matteo Giupponi (ITA - Itália),  -  / 1.20.27
458: Giorgio Rubino (ITA - Itália), 1.22.05 / 1.19.37
461: Isamu Fujisawa (JPN - Japão), 1.18.23 / 1.18.23
466: Daisuke Matsunaga (JPN - Japão), 1.19.40 / 1.18.53
468: Eiki Takahashi (JPN - Japão), 1.18.18 / 1.18.03
469: Georgiy Sheiko (KAZ - Casaquistão), 1.20.47 / 1.20.47
470: Samuel Ireri Gathimba (KEN - Quénia), -  / 1.19.24
473: Simon Wachira (KEN - Quénia), -  / 1.23.26
475: Byeongkwang Choe (KOR - Coreia do Sul), 1.29.52 / 1.21.20
476: Hyunsub Kim (KOR - Coreia do Sul), 1.19.50 / 1.19.13
478: Daeho Kim (KOR - Coreia do Sul), 1.23.49 / 1.23.48
486: Marius Žiukas (LTU - Lituânia), 1.21.27 / 1.21.27
492: Pedro Daniel Gómez (MEX - México), 1.22.48 / 1.20.05
496: Eder Sánchez (MEX - México), 1.22.28 / 1.18.34
497: Jesús Tadeo Vega (MEX - México), 1.23.13 / 1.19.20
512: César Augusto Rodríguez (PER - Peru), 1.23.50 / 1.23.50
515: Damian Blocki (POL - Polónia), 1.21.52 / 1.21.52
516: Artur Brzozowski (POL - Polónia), 1.21.16 / 1.21.16
518: Jakub Jelonek (POL - Polónia), 1.22.15 / 1.21.05
528: Lebogang Shange (RSA - África do Sul), 1.21.00 / 1.20.06
535: Anatole Ibañez (SWE - Suécia), 1.27.59 / 1.20.54
536: Perseus Karlström (SWE - Suécia), 1.20.20 / 1.19.11
542: Mert Atli (TUR - Turquia), 1.26.49 / 1.23.50
544: Salih Korkmaz (TUR - Turquia), 1.23.11 / 1.23.11
547: Ersin Tacir (TUR - Turquia), 1.22.31 / 1.22.19
553: Serhiy Budza (UKR - Ucrânia), 1.23.26 / 1.21.13
554: Ruslan Dmytrenko (UKR - Ucrânia), 1.22.35 / 1.18.37
556: Ivan Losev (UKR - Ucrânia), 1.23.13 / 1.19.33
569: Richard Vargas (VEN - Venezuela), -  / 1.22.10
Fonte: IAAF